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riscos_e_rabiscos

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De um momento para o outro somos nada.

Tinha planeado dedicar-me ao trabalho de manhã. Queria  planificar umas aulas e depois terminar mais umas peças que estavam em stand-by. Toca o telefone às 10 horas: era a minha tia de Santarém.

 

Os cumprimentos do costume, as perguntas da praxe para saber como está a família e a minha tia diz-me com voz tremelicante que tinha sido operada à vista e que tinha ficado sem ver nada mas que o razão do telefonema era outra, e pior: tinha morrido o marido de uma das minhas primas.

 

Fiquei sem palavras. Um homem novo e de forma súbita. Tinha ido tratar de umas coisas a um terreno e não tinha ido almoçar a casa e nem dado qualquer sinal de vida. Preocupada, a minha prima pegou no filho mais novo e foi ver o que se passava. O miúdo foi o primeiro a avistar o pai deitado no chão e quando lá chegou viu que estava morto.

 

O miúdo ficou em choque, como é claro. Está toda a família em choque. Um homem novo, boa pessoa, trabalhador e amigo. Deixa um filho pequeno, uma filha que entrou agora para a faculdade e uma mulher a precisar também muito dele.

 

Há tanta gente que não vale nada e que a morte não os leva...

 

De repente somos nada!